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8 min de leitura

O que é fintech (e como ter a sua)

O que é fintech (e como ter a sua)

Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC0)

Escrito por

FLFernando Luz

Fernando Luz

Fundador da Hub 360 Digital

Redes

A palavra que todo mundo usa, explicada sem jargão, e o que ela significa para quem quer ter uma.

O que é fintech? Fintech é a junção das palavras em inglês finance e technology, finanças e tecnologia. O termo descreve empresas que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros de um jeito mais simples, rápido ou barato do que o modelo tradicional: conta pelo celular, empréstimo sem ir à agência, maquininha de cartão para o pequeno lojista, Pix com poucos toques.

Mas fintech não é um tipo de empresa na lei. Para o Banco Central, o que vale é a atividade que a empresa exerce. Este guia explica essa diferença, os principais tipos de fintech e os caminhos para quem quer ter a sua.

O que é fintech para o Banco Central

O Banco Central usa o termo fintech no dia a dia, mas regula as empresas pelo que elas fazem. Em 2018, o Conselho Monetário Nacional criou duas licenças pensadas para fintechs de crédito: a Sociedade de Crédito Direto, a SCD, e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas, a SEP. A norma original, a Resolução 4.656, foi depois substituída pela Resolução CMN 5.050, de 2022.

Fora isso, uma fintech pode ser instituição de pagamento, financeira, banco, cooperativa, ou pode não ter licença nenhuma e operar com a licença de um parceiro. O nome fintech diz como a empresa trabalha; a licença diz o que ela pode fazer.

Os principais tipos de fintech

Fintechs de pagamento. Contas digitais, carteiras, maquininhas e links de pagamento. Em geral são instituições de pagamento, figura criada pela Lei 12.865, de 2013. Veja instituição de pagamento.

Fintechs de crédito. Empréstimos por aplicativo, para pessoas ou empresas. Podem ser SCD, SEP, financeira, ou empresas que operam com parceiro. Veja o guia da SCD e como emprestar dinheiro legalmente.

Bancos digitais. Empresas que oferecem conta, cartão e crédito pelo celular. Nem todo banco digital tem licença de banco; muitos combinam licenças menores. Veja como criar um banco digital do zero.

Fintechs de investimento. Plataformas de corretagem, gestão e investimento, reguladas em boa parte pela CVM.

Fintechs de infraestrutura. Empresas que fornecem tecnologia e licença para outras empresas oferecerem serviços financeiros. É o mundo do Banking as a Service. Veja BaaS.

Fintechs de nicho. Serviços financeiros desenhados para um público específico: igrejas, condomínios, varejistas, profissionais de uma área.

Fintech é banco?

Nem sempre. Banco é um tipo específico de instituição financeira, com autorização própria do Banco Central, como manda a Lei 4.595, de 1964. Uma fintech pode ser banco, mas muitas são instituições de pagamento ou sociedades de crédito.

Desde novembro de 2025, essa diferença ficou mais visível. A Resolução Conjunta 17 proíbe instituições autorizadas de usar no nome ou na marca termos que sugiram um tipo de instituição para o qual não têm licença. O caso mais comentado está em Nubank é banco ou fintech?.

Por que as fintechs cresceram tanto no Brasil

Alguns fatores ajudaram: a criação das instituições de pagamento em 2013, as licenças de SCD e SEP em 2018, o Pix em 2020 e o Open Finance. Cada um reduziu barreiras para empresas novas competirem com os grandes bancos. Para conhecer as maiores do país, veja fintechs brasileiras: as maiores e quanto valem.

Como ter a sua fintech: quatro caminhos

1. Licença própria de crédito. SCD, com autorização do Banco Central e capital na faixa das sociedades de crédito, de R$ 9,8 milhões a R$ 60 milhões na metodologia nova apresentada pelo BC em novembro de 2025.

2. Licença própria de pagamento. Instituição de pagamento, com autorização obrigatória desde a Resolução BCB 494, de 2025, e capital de R$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhões na metodologia nova.

3. Crédito sem licença do BC. A Empresa Simples de Crédito, da Lei Complementar 167, de 2019, empresta dinheiro próprio para pequenas empresas da região. Veja o guia da ESC.

4. Licença de um parceiro. No Banking as a Service, regulado pela Resolução Conjunta 16, de 2025, uma instituição autorizada presta os serviços e a sua empresa os oferece com a sua marca. É o caminho de entrada mais leve para quem tem um público e quer oferecer conta, Pix ou cartão.

O passo a passo completo está em como abrir uma fintech, e os custos em quanto custa abrir uma fintech.

Fintech é segura?

Uma fintech autorizada pelo Banco Central segue regras de capital, gestão de riscos e conduta. Para instituições de pagamento, o artigo 12 da Lei 12.865 determina que o dinheiro em conta de pagamento é patrimônio separado, que não responde pelas dívidas da instituição. Antes de usar uma fintech, vale conferir qual instituição autorizada presta o serviço; essa informação deve estar clara no aplicativo e no site.

Desconfie de quem promete rendimento alto garantido ou crédito aprovado sem análise. Isso não é inovação, é sinal de alerta.

Exemplos de fintech no dia a dia

Você provavelmente já usa fintechs sem perceber. A conta digital em que o salário cai, a carteira do aplicativo de transporte, a maquininha do cabeleireiro, o empréstimo pedido pelo celular e o aplicativo que organiza as finanças da casa são exemplos.

Em cada um, por trás da tela, existe uma instituição com uma licença específica, ou um parceiro autorizado. O cliente vê a marca da empresa; o regulador olha para a licença. Entender essas duas camadas é o primeiro passo para quem quer criar a sua.

Um exemplo de nicho ajuda a visualizar. Uma rede de lojas de material de construção pode oferecer aos pedreiros e mestres de obras um aplicativo com conta, Pix e pagamento parcelado das compras. A rede cuida do relacionamento; uma instituição autorizada cuida da conta; uma financeira parceira cuida do crédito. O pedreiro vê uma única marca, a da loja.

Termos que aparecem junto com fintech

Open Finance: compartilhamento de dados e serviços entre instituições, com autorização do cliente.

Pix: pagamento instantâneo criado pelo Banco Central.

BaaS: Banking as a Service, a oferta de serviços financeiros de uma instituição autorizada por outra empresa.

Subadquirente: empresa que habilita lojistas a aceitar cartão usando a estrutura de uma adquirente. Veja subadquirente.

Private label: cartão com a marca de uma loja, aceito só nela. Veja cartão private label.

Onde a Hub 360 entra

A Hub 360 entrega a tecnologia para quem quer ter a própria fintech: aplicativo, internet banking e painel com a sua marca, integrados a instituições autorizadas. Você cuida do seu público e da sua marca. A Hub não concede crédito, não garante licença e não promete resultado financeiro.

Perguntas frequentes

O que significa fintech?

É a junção de finance e technology, finanças e tecnologia. Descreve empresas que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros.

Toda fintech precisa de autorização do Banco Central?

Não. Depende da atividade. Instituições de pagamento, SCD, financeiras e bancos precisam. A ESC não depende de autorização do BC, e empresas no modelo BaaS operam com a licença de um parceiro autorizado.

Fintech e banco digital são a mesma coisa?

Não necessariamente. Banco digital é um tipo de fintech que oferece conta e serviços pelo celular, mas nem todo banco digital tem licença de banco.

Qual a diferença entre fintech e banco tradicional?

A forma de operar. Fintechs nascem digitais, com estrutura enxuta e foco em tecnologia. A licença, porém, pode ser a mesma ou diferente, conforme a atividade.

Como ter minha própria fintech sem licença?

Pelo modelo Banking as a Service: uma instituição autorizada presta os serviços e a sua empresa os oferece com a sua marca, seguindo a Resolução Conjunta 16, de 2025.

Fintech pode quebrar?

Como qualquer empresa, sim. Por isso a regulação exige capital, gestão de riscos e, nas instituições de pagamento, a separação do dinheiro dos clientes prevista no artigo 12 da Lei 12.865. Conferir qual instituição autorizada presta o serviço ajuda a avaliar o risco.

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