Crédito

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SCD: o que é e como abrir uma Sociedade de Crédito Direto

SCD: o que é e como abrir uma Sociedade de Crédito Direto

Foto: Paulo Rená da Silva Santarém/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Escrito por

FLFernando Luz

Fernando Luz

Fundador da Hub 360 Digital

Redes

A SCD é a licença de muitas fintechs de crédito. Veja o que ela permite, como se financia e o que mudou no capital.

A sociedade de crédito direto, a SCD, é a instituição financeira criada em 2018 para as fintechs de crédito. Ela empresta pela internet, com dinheiro próprio, e precisa de autorização do Banco Central para funcionar.

Este guia explica o que a SCD pode e não pode fazer, como ela consegue dinheiro para crescer, o que mudou no capital mínimo e como é o caminho até a autorização.

O que é uma sociedade de crédito direto

A SCD nasceu com a Resolução 4.656, de 2018, do Conselho Monetário Nacional (CMN). Desde 1º de janeiro de 2023, as regras foram consolidadas na Resolução CMN 5.050, de 2022, que revogou a anterior.

Pela definição oficial, a SCD é instituição financeira que faz empréstimo, financiamento e aquisição de direitos creditórios exclusivamente por meio de plataforma eletrônica, com recursos que têm como única origem o capital próprio.

Além do crédito, a SCD pode prestar alguns serviços: análise de crédito para terceiros, cobrança de crédito de terceiros, distribuição de seguro ligado às operações dela, emissão de moeda eletrônica e emissão de instrumento de pagamento pós-pago, como um cartão.

A escolha dos clientes precisa seguir critérios consistentes, verificáveis e transparentes, como situação financeira, endividamento, capacidade de pagamento, histórico de atrasos, setor e limite de crédito.

O que a SCD não pode fazer

A SCD não pode captar recursos do público, a não ser pela emissão de ações. E não pode participar do capital de outras instituições financeiras.

O nome precisa conter "Sociedade de Crédito Direto", e é proibido usar denominação ou nome fantasia com termos característicos de outras instituições do sistema financeiro, como banco.

Como a SCD consegue dinheiro para crescer

Se não pode captar do público, como a SCD aumenta a carteira? A norma abre dois caminhos.

O primeiro é vender ou ceder os créditos que concedeu. Os compradores permitidos são instituições financeiras, fundos de investimento com cotas destinadas só a investidores qualificados e companhias securitizadoras que distribuam os títulos só para esse público. É assim que muitas SCDs se conectam a um FIDC.

O segundo é obter recursos em repasses e empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

SCD e SEP: qual a diferença

A mesma resolução criou a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas, a SEP, que faz o chamado peer to peer: conecta quem quer emprestar a quem quer tomar, numa plataforma eletrônica. A SEP não empresta dinheiro próprio e não pode reter o risco das operações.

Um investidor que não seja qualificado pode emprestar no máximo R$ 15 mil para um mesmo devedor numa mesma SEP. Para o Banco Central, a diferença central é essa: a SCD usa capital próprio; a SEP intermedeia recursos de terceiros.

Capital mínimo da SCD: o que mudou

Desde a criação, a SCD precisava manter capital social integralizado e patrimônio líquido de pelo menos R$ 1 milhão. Esse valor estava no artigo 26 da Resolução 4.656.

Em novembro de 2025, o CMN e o BC aprovaram uma nova metodologia, que calcula o capital pelas atividades exercidas. Na apresentação oficial, o grupo das sociedades de crédito, que tinha mínimo de R$ 1 milhão na regra antiga, passa a ter faixa de R$ 9,8 milhões a R$ 60 milhões.

A transição é gradual: regra antiga até 30 de junho de 2026; depois, 25% da diferença entre o valor antigo e o novo até 31/12/2026, 50% até 30/06/2027, 75% até 31/12/2027 e 100% a partir de 2028.

A conta soma um custo inicial, que cresce com o número de atividades e com serviços que dependem de tecnologia, e um adicional pelo tipo de operação. A minuta da Resolução BCB 517 classifica a SCD na categoria de concessão de crédito e lista como serviços intensivos em tecnologia, entre outros, o Banking as a Service e o provimento de conta transacional no Pix. Por isso, o valor exato de cada projeto depende do que a SCD vai fazer.

Como abrir uma SCD: o caminho da autorização

1. Desenhe o modelo. Que crédito, para quem, com que funding e quais serviços extras. Isso define o capital exigido.

2. Organize o grupo de controle. O BC analisa os donos, comprova a origem e a movimentação dos recursos usados no negócio e checa se a capacidade econômico-financeira combina com o porte do projeto.

3. Constitua a sociedade anônima, forma obrigatória para a SCD.

4. Monte governança e controles: diretoria, gestão de riscos, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança da informação e atendimento.

5. Protocole o pedido no Banco Central e responda às exigências. As fontes oficiais consultadas não fixam prazo para a decisão.

6. Coloque a plataforma eletrônica no ar: a SCD só pode operar por sistema eletrônico, site ou aplicativo.

Os custos que existem

As fontes oficiais não publicam tabela de custo para abrir uma SCD, e números redondos que circulam no mercado precisam ser olhados com cuidado. O que existe, com certeza:

Capital, pela tabela nova do Banco Central, que fica na empresa como patrimônio. Estrutura societária e regulatória para a sociedade anônima e o pedido de autorização. Pessoas: diretoria, riscos, compliance e prevenção à lavagem de dinheiro. Tecnologia: plataforma eletrônica, que é obrigatória, análise de crédito, contratos, cobrança, relatórios ao BC e segurança da informação. Funding: estrutura para ceder a carteira a fundos ou instituições.

Checklist rápido

Tem a origem do capital documentada? Sabe quais serviços extras vai oferecer, já que cada um pode pesar no capital? Já tem um comprador em vista para a carteira, como um FIDC? A plataforma eletrônica está pronta ou vai ser construída? Respondidas essas perguntas, o pedido ao BC fica muito mais sólido.

Palavras que você vai ouvir

Cedente: quem vende um crédito. Sacado ou devedor: quem tem que pagar. Lastro: o documento que prova que o crédito existe, como a nota fiscal e o comprovante de entrega. Registradora: empresa autorizada pelo Banco Central ou pela CVM que registra operações e evita que o mesmo crédito seja vendido duas vezes. Funding: de onde vem o dinheiro que será emprestado. Cadastro positivo: banco de dados com o histórico de pagamentos em dia, além dos atrasos. Alienação fiduciária: garantia em que o bem fica em nome de quem emprestou até a dívida ser quitada.

Ter esse vocabulário na ponta da língua ajuda na conversa com contador, advogado, registradora e, mais adiante, com investidores.

A SCD é para você?

A SCD faz sentido para quem quer emprestar em escala, pela internet, para pessoas e empresas de qualquer região, com dinheiro próprio e com a possibilidade de vender a carteira. Para começar menor, a Empresa Simples de Crédito pode ser o primeiro degrau. Para captar de investidores, a financeira é o formato tradicional. Compare tudo no guia comparativo e simule na calculadora Quanto custa abrir sua fintech.

Como a SCD é, por definição, uma operação digital, a tecnologia é metade do projeto. A Hub 360 entrega a plataforma pronta de app, conta e crédito com a marca da sua SCD. A Hub não concede crédito e não garante a autorização do BC; ela encurta o caminho da tecnologia.

Perguntas frequentes

SCD precisa de autorização do Banco Central?

Sim. A SCD é instituição financeira e só funciona com autorização prévia do BC.

Qual o capital mínimo de uma SCD?

Era de R$ 1 milhão. Com a nova metodologia do BC, o grupo das sociedades de crédito passa a ter faixa de R$ 9,8 milhões a R$ 60 milhões, em etapas até 2028. O valor exato depende das atividades.

A SCD pode captar dinheiro de investidores?

Do público, não, exceto emitindo ações. Ela pode ceder a carteira a instituições financeiras, fundos para investidores qualificados e securitizadoras, além de usar repasses do BNDES.

A SCD pode oferecer cartão e conta?

Pode emitir moeda eletrônica e instrumento de pagamento pós-pago, nos termos da regulamentação. Esses serviços entram no cálculo do capital mínimo.

Qual a diferença entre SCD e SEP?

A SCD empresta com capital próprio. A SEP intermedeia empréstimos entre pessoas, com recursos dos credores.

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