Abrir banco ou fintech

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Quanto custa abrir uma fintech?

Quanto custa abrir uma fintech?

Foto: Numizmat 675/Wikimedia Commons (Public domain)

Escrito por

FLFernando Luz

Fernando Luz

Fundador da Hub 360 Digital

Redes

Os números oficiais que existem, os custos que não têm tabela e uma calculadora para o seu caso.

Quanto custa abrir uma fintech? A resposta honesta é: depende do modelo, e a diferença entre o mais barato e o mais caro passa de dezenas de milhões de reais. O que dá para fazer é separar os custos que têm número oficial, como o capital mínimo do Banco Central, dos custos que dependem das suas escolhas, como equipe e tecnologia.

Para simular por modelo e porte, use a calculadora Quanto custa abrir sua fintech. Este guia explica cada linha da conta.

Quanto custa abrir uma fintech: a conta em quatro partes

1. Capital regulatório. O valor mínimo que a instituição precisa manter como capital e patrimônio. Não é gasto: fica na empresa, mas precisa estar integralizado.

2. Abertura e autorização. Constituição da empresa, pedido ao Banco Central quando aplicável, jurídico e consultoria regulatória.

3. Estrutura recorrente. Diretores, compliance, riscos, prevenção à lavagem de dinheiro, auditoria, contabilidade e atendimento.

4. Tecnologia. Aplicativo, internet banking, painel, integrações com Pix e boletos, segurança, nuvem e manutenção.

Só a primeira tem número oficial. As outras dependem do tamanho do projeto e de quanto você constrói ou contrata pronto.

O capital mínimo novo do Banco Central

Em 3 de novembro de 2025, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central publicaram a Resolução Conjunta 14 e a Resolução BCB 517, que mudam a forma de calcular o capital mínimo. O valor passa a depender das atividades exercidas, e não só do tipo de instituição. Na apresentação oficial do BC, as faixas ficaram assim:

TipoNova metodologiaRegra anterior
BancosR$ 56 milhões a R$ 96 milhõesR$ 7 milhões a R$ 77 milhões
Sociedades de crédito, como SCD e financeiraR$ 9,8 milhões a R$ 60 milhõesR$ 1 milhão a R$ 17,5 milhões
Instituições de pagamentoR$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhõesR$ 1 milhão a R$ 9 milhões
Cooperativas de créditoR$ 150 mil a R$ 37,2 milhõessem comparação direta

Para as instituições que já existiam ou já tinham pedido protocolado, a Resolução Conjunta 14 prevê transição. Até 30 de junho de 2026 vale o valor antigo. Depois, a diferença para o valor novo entra aos poucos: 25% até 31 de dezembro de 2026, 50% até 30 de junho de 2027, 75% até 31 de dezembro de 2027 e 100% a partir de 2028.

Modelos sem capital mínimo do Banco Central

Empresa Simples de Crédito. A Lei Complementar 167, de 2019, não fixa capital mínimo, mas o total emprestado não pode passar do capital integralizado, e a receita bruta anual não pode passar de R$ 4,8 milhões, o limite da empresa de pequeno porte da Lei Complementar 123. Veja o guia da ESC.

Factoring. As normas consultadas não fixam capital mínimo. O capital é o limite natural da carteira. Veja como abrir uma factoring.

BaaS. No modelo Banking as a Service, a empresa que oferece os serviços aos seus clientes é a tomadora, e quem precisa de licença e capital é a instituição prestadora. A Resolução Conjunta 16, de 2025, regula essa relação. Veja BaaS.

Custos de abertura e autorização

Para modelos que exigem licença, o pedido segue a Resolução CMN 4.970. O Banco Central analisa a origem do capital, os controladores, os administradores e o plano de negócios, e pode pedir documentos adicionais ou convocar entrevistas. Esse processo costuma envolver advogados e consultores especializados.

As fontes oficiais não publicam quanto custa preparar esse pedido nem quanto tempo ele leva. Orçamentos variam muito conforme a complexidade e o escritório. Por isso, este guia não traz um valor: qualquer número aqui seria chute.

Custos de estrutura recorrente

Instituições autorizadas precisam de governança. A Resolução BCB 80, por exemplo, exige pelo menos três administradores em instituição de pagamento constituída como limitada. Some a isso responsável por compliance, por gestão de riscos e por prevenção à lavagem de dinheiro, além de auditoria independente e contabilidade especializada.

No modelo com parceiro, parte dessa estrutura fica com a instituição prestadora, mas a tomadora continua precisando de gente para atendimento, operação e comercial, e de cuidados com a sua própria conformidade, como proteção de dados.

Custos de tecnologia: construir ou contratar

Construir do zero significa contratar engenheiros, designers, especialistas em segurança e manter tudo funcionando 24 horas por dia, com integrações a Pix, boletos, verificação de identidade e envio de informações. É um custo alto e contínuo, que começa muito antes do primeiro cliente.

Contratar uma plataforma pronta troca esse investimento inicial por uma mensalidade ou um custo por cliente, e encurta o prazo de lançamento. A escolha certa depende de quanto a tecnologia é o seu diferencial. Para a maioria dos projetos de nicho, o diferencial é o público e a marca, e não o código.

Três cenários para comparar

Cenário 1: aplicativo com a sua marca sobre parceiro autorizado. Sem capital regulatório próprio, sem pedido de autorização. Custos principais: tecnologia, contrato com a prestadora, marketing e operação.

Cenário 2: fintech de crédito como SCD. Capital na faixa das sociedades de crédito, pedido ao Banco Central, estrutura de governança e tecnologia de crédito. Veja o guia da SCD.

Cenário 3: instituição de pagamento própria. Capital na faixa de R$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhões, autorização prévia obrigatória desde a Resolução BCB 494, de 2025, e estrutura completa. Veja instituição de pagamento.

Se o plano é ser banco, os números sobem para a faixa de R$ 56 milhões a R$ 96 milhões só de capital. Veja como abrir um banco no Brasil.

Como reduzir o custo sem cortar o essencial

Comece com um produto só. Valide com um grupo pequeno de clientes. Use a licença de um parceiro enquanto o volume não justifica a sua. Contrate tecnologia pronta e invista o que sobrar em atendimento e em aquisição de clientes. E nunca economize em prevenção à fraude: é o tipo de corte que sai caro depois.

Onde a Hub 360 entra

A Hub 360 entrega a tecnologia da sua fintech pronta, com aplicativo, internet banking e painel com a sua marca, integrada a instituições autorizadas. Isso reduz o investimento inicial em tecnologia e o prazo de lançamento. A Hub não concede crédito, não garante licença e não promete retorno financeiro. Para o passo a passo completo, veja como abrir uma fintech.

Perguntas frequentes

Qual o valor mínimo para abrir uma fintech?

Não existe um valor único. Modelos com parceiro autorizado não exigem capital regulatório da empresa que contrata. Instituições de pagamento, na nova metodologia do BC, vão de R$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhões de capital.

O capital mínimo é um gasto?

Não. Ele fica na empresa como capital e patrimônio, mas precisa estar integralizado e não pode ser usado livremente se isso deixar a instituição abaixo do mínimo.

Quando o novo capital mínimo passa a valer?

Para quem já operava, a Resolução Conjunta 14 prevê transição de julho de 2026 a dezembro de 2027, com valor integral a partir de 2028.

Abrir uma ESC é mais barato?

Em geral, sim, porque não há capital mínimo do Banco Central nem pedido de autorização. Em troca, a ESC só empresta dinheiro próprio para MEI, micro e pequenas empresas da região.

O que pesa mais no custo de uma fintech com parceiro?

Normalmente a tecnologia, o contrato com a instituição prestadora, a aquisição de clientes e a operação de atendimento. O peso de cada um depende do público e do produto escolhidos para começar.

Existe uma tabela oficial de custo de abrir fintech?

Não. O que existe de oficial é o capital mínimo. Custos de jurídico, equipe e tecnologia dependem de cada projeto.

Dá para começar pequeno e crescer depois?

Sim. Muitas fintechs começam usando a licença de um parceiro, validam o produto com poucos clientes e só avaliam licença própria quando o volume justifica o capital mínimo e a estrutura exigidos pelo Banco Central.

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