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Como abrir uma financeira em 2026

Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O que o Banco Central exige, quanto capital a nova regra pede e quais caminhos mais leves existem para quem quer emprestar.
Saber como abrir uma financeira começa por uma pergunta simples: você quer emprestar o próprio dinheiro ou o dinheiro dos outros? A resposta muda a licença, o capital exigido e o tempo até o primeiro contrato assinado.
Este guia explica, em linguagem direta, o que é uma financeira no sentido da lei, o que o Banco Central (BC) pede para autorizar uma, o que mudou no capital mínimo a partir de 2025 e quais alternativas costumam fazer mais sentido para quem está começando.
Como abrir uma financeira: o que a lei chama de financeira
No vocabulário do Banco Central, financeira é a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, a SCFI. Segundo o próprio BC, essas instituições concedem empréstimo e financiamento para compra de bens, serviços e capital de giro. Muitas pertencem a grupos comerciais ou industriais, como lojas de departamento e montadoras, e financiam os próprios produtos.
A SCFI precisa ser uma sociedade anônima e levar no nome a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". É supervisionada pelo Banco Central. Não pode abrir conta corrente para o cliente.
O que diferencia a financeira de outros modelos é a forma de conseguir dinheiro. Pelo texto do BC, ela capta recursos com letras de câmbio, Recibos de Depósito Bancário (RDB), Depósitos Interfinanceiros (DI), cessão de créditos e Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). Ou seja: pode usar dinheiro de investidores para emprestar, e parte dessas aplicações conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Por que é preciso autorização do Banco Central
Captar dinheiro de terceiros para emprestar é atividade de instituição financeira. A Lei 7.492, de 1986, define assim quem capta, intermedeia ou aplica recursos de terceiros, e o artigo 16 da mesma lei trata como crime fazer operar uma instituição financeira sem autorização, com pena de um a quatro anos de reclusão e multa.
Por isso, quem pergunta como abrir uma financeira está, na prática, perguntando como conseguir uma autorização do Banco Central. Na página sobre fintechs, o BC descreve o que olha nesse processo: informações sobre os donos, a origem e a movimentação dos recursos usados pelos controladores e a compatibilidade da capacidade econômico-financeira com o porte e o objetivo do negócio.
As fontes oficiais consultadas para este guia não trazem um prazo fixo para a análise. Ele depende da qualidade do pedido e das exigências feitas pelo BC ao longo do caminho.
Quanto capital é preciso: a regra mudou
Até 2025, cada tipo de instituição tinha um capital mínimo próprio. Em novembro de 2025, o Conselho Monetário Nacional e o BC publicaram a Resolução Conjunta nº 14 e a Resolução BCB nº 517, que passam a calcular o capital mínimo pelas atividades que a instituição exerce, e não mais pelo tipo de licença.
Na apresentação oficial de 3 de novembro de 2025, o BC mostrou os novos valores de referência. Para o grupo das sociedades de crédito, o mínimo passa a variar de R$ 9,8 milhões a R$ 60 milhões, conforme as atividades. Na regra anterior, esse grupo ia de R$ 1 milhão a R$ 17,5 milhões. Para bancos, a nova faixa é de R$ 56 milhões a R$ 96 milhões.
A mudança é gradual. Pelo cronograma do BC, a regra antiga valeu até 30 de junho de 2026. Depois disso, a exigência nova entra em etapas: 25% da diferença entre o valor antigo e o novo até 31/12/2026, 50% até 30/06/2027, 75% até 31/12/2027 e 100% a partir de 2028.
O valor exato para uma financeira específica sai de uma conta que soma um custo inicial, ligado ao número de atividades e aos serviços que dependem de tecnologia, e um adicional ligado ao tipo de operação, à forma de investimento e à forma de captação. Captar depósitos do público pesa mais do que operar com recursos próprios.
O passo a passo, em linhas gerais
1. Defina o modelo de crédito. Para quem vai emprestar, com que garantia, em que prazo e com que dinheiro. Isso decide se faz sentido uma financeira ou um caminho mais leve.
2. Monte o plano de negócios e o grupo de controle. O BC vai querer saber quem são os donos e de onde vem o dinheiro. A origem dos recursos precisa ser comprovada.
3. Constitua a sociedade anônima com o nome exigido e o capital compatível com as atividades pretendidas.
4. Prepare a estrutura. Diretoria, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de risco, tecnologia e atendimento ao cliente.
5. Peça a autorização e responda às exigências do Banco Central até a decisão.
6. Coloque a operação no ar, com sistema de crédito, contratos, cobrança e envio de informações ao BC.
Alternativas mais leves para começar
Nem todo projeto de crédito precisa nascer como financeira. Há caminhos com exigências menores, cada um com limites claros:
Sociedade de Crédito Direto (SCD). Também é instituição financeira autorizada pelo BC, mas empresta só com capital próprio e por plataforma eletrônica. Não capta do público. Veja o guia completo da SCD.
Empresa Simples de Crédito (ESC). Criada pela Lei Complementar 167, de 2019, empresta só dinheiro próprio para MEI, micro e pequenas empresas da cidade e dos municípios vizinhos. Veja o guia da ESC.
Factoring. Compra recebíveis de empresas, como duplicatas, em vez de emprestar. Veja como abrir uma factoring.
FIDC e securitizadora. Estruturas do mercado de capitais que compram créditos com dinheiro de investidores. Veja o que é FIDC.
Se a dúvida é qual desses escolher, o comparativo entre ESC, SCD, factoring, securitizadora e FIDC coloca tudo lado a lado. E a calculadora Quanto custa abrir sua fintech mostra a licença e o capital de cada caminho.
Os custos que existem, mesmo sem tabela oficial
As fontes oficiais não publicam uma tabela de quanto custa abrir uma financeira, e qualquer número redondo que circule por aí deve ser visto com cuidado. O que dá para dizer com segurança é quais custos existem.
Capital. É o maior item e segue a tabela nova do Banco Central. Ele não é gasto: fica na empresa como patrimônio, mas precisa estar integralizado e comprovado.
Estrutura jurídica e regulatória. Constituição da sociedade anônima, preparação do pedido de autorização e respostas às exigências do BC.
Pessoas. Diretores com experiência, área de riscos, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e atendimento.
Tecnologia. Sistema de crédito, contratos, cobrança, envio de informações regulatórias, segurança da informação e aplicativo.
Funding. Para captar de investidores, a financeira precisa de estrutura para emitir e distribuir os instrumentos citados pelo BC.
Checklist antes de pedir a autorização
Você sabe explicar em uma frase quem é o cliente e qual o produto? Tem a origem do capital documentada, pronta para o BC olhar? Já comparou a financeira com a SCD e a ESC para ver se a licença maior é mesmo necessária? Tem um time com experiência em crédito e em regulação? E tem um plano para a tecnologia que não dependa de construir tudo do zero?
Se alguma resposta ainda é não, vale começar pelo comparativo e pela calculadora antes de gastar com o pedido.
Tecnologia: a parte que mais atrasa
Com licença ou sem licença, ninguém empresta sem sistema. É preciso cadastro e análise do cliente, formalização do contrato, registro, cobrança, conciliação e um aplicativo para o cliente acompanhar tudo. Construir isso do zero consome meses e um time inteiro de tecnologia.
É aqui que entra a Hub 360: uma plataforma pronta de app, conta e crédito com a marca do cliente, para que o investimento vá para a operação e não para reinventar sistema. A Hub também tem experiência prática com securitizadora, por meio da Crédito360. A Hub não concede crédito nem garante aprovação de licença; ela entrega a tecnologia.
Perguntas frequentes
Preciso de autorização do Banco Central para abrir uma financeira?
Sim. A financeira (SCFI) é instituição financeira e depende de autorização do BC. Operar instituição financeira sem autorização é crime pelo artigo 16 da Lei 7.492/1986.
Qual o capital mínimo para abrir uma financeira em 2026?
O BC passou a calcular o capital pelas atividades exercidas. Na apresentação oficial de novembro de 2025, o grupo das sociedades de crédito tem nova faixa de R$ 9,8 milhões a R$ 60 milhões, aplicada em etapas até 2028. O valor exato depende das atividades do seu projeto.
A financeira pode abrir conta corrente para o cliente?
Não. Segundo o Banco Central, não é possível abrir conta corrente em uma SCFI.
Existe opção mais barata do que a financeira?
Sim. A SCD empresta só com capital próprio, a ESC atende só pequenas empresas da região com dinheiro próprio e a factoring compra recebíveis. Cada uma tem limites diferentes.
Quanto tempo leva a autorização?
As fontes oficiais consultadas não fixam prazo. Depende do pedido e das exigências feitas pelo Banco Central durante a análise.
- Banco Central: O que é sociedade de crédito, financiamento e investimento
- Banco Central: página Fintechs (SCD e SEP, autorização)
- Banco Central: apresentação Capital Mínimo, nova metodologia (3/11/2025)
- Banco Central: Voto 146/2025 e minuta da Resolução BCB nº 517 (atividades e serviços de tecnologia)
- Resolução CMN nº 4.656/2018 (SCD e SEP), texto no Banco Central, com as alterações anotadas
- Resolução CMN nº 4.656/2018, versão final: revogada e substituída pela Resolução CMN nº 5.050/2022
- Lei nº 7.492/1986 (crimes contra o Sistema Financeiro), arts. 1º e 16, Planalto
- Lei Complementar nº 167/2019 (Empresa Simples de Crédito), Planalto
Conteúdo informativo, não é consultoria jurídica, contábil ou de investimento. Regras mudam: confira a norma vigente antes de decidir.





